• Julia Sierro

Racismo Ambiental: Relação entre preconceito racial e sustentabilidade

Como o racismo está conectado com questões socioambientais?


Nas últimas semanas, a luta contra o racismo ganhou destaque após a repercussão da morte de George Floyd, negro norte-americano vítima de violência policial na cidade de Minneapolis, nos Estados Unidos, gerando uma onda de manifestações de grupos anti racistas por todo país e ganhando espaço nas redes sociais com a #blacklivesmatter.


Manifestante estampa em máscara "Não posso respirar", frase marcante dita por George Floyd no momento de sua morte. Fotografia de Gabriel Bouys/ AFP/ Getty Images.


Sabemos que o racismo é um problema atual e preocupante, marcado por raízes históricas, que se manifesta em diversas circunstâncias. Mas você sabia que ele está presente até mesmo nas questões socioambientais? O termo racismo ambiental, considerado uma vertente de um tema mais abrangente chamado Injustiça Ambiental, tem como objetivo definir a maneira que os danos ambientais gerados por atividades econômicas afetam de forma mais significativa determinados grupos étnicos, em específico, aqueles racialmente excluídos dos processos de participação política e em situação de vulnerabilidade social e econômica.

A primeira denúncia aconteceu na década de 80, quando moradores da comunidade negra de Warren County, na Carolina do Norte, descobriram que o governo estadual pretendia instalar no local o aterro industrial de um composto altamente tóxico e potencialmente cancerígeno, as Bifenilas Policloradas (PCB’s). O ocorrido foi base para estudos subsequentes identificarem que os padrões da distribuição espacial dos depósitos de resíduos químicos perigosos acompanhavam a distribuição territorial das etnias pobres nos Estados Unidos, reafirmado pelo sociólogo Robert Bullard em seu livro “Dumping in Dixie”, considerado o primeiro material teórico sobre Justiça Ambiental. A causa contou com o apoio de congressistas e consequente formulação de políticas públicas que buscam solucionar o problema até os dias atuais.



Manifestação popular em Warren County, 1982. Nos cartazes, o apelo: “Nos importamos com o nosso futuro. Não prejudique a vida das gerações seguintes.”. Fotografia deJerome Friar/ UNC Libraries.


No Brasil, a Justiça Ambiental é assegurada pela Constituição Federal (1988) no Artigo 225, estabelecendo a todos o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. No entanto, a realidade é distinta. Comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas, ribeirinhos e diversas outras, sofrem de maneira desigual os malefícios causados pela poluição industrial, avanço do agronegócio e pelo processo de urbanização, que os tornam mais suscetíveis à perda de território, contaminação de recursos naturais e perda cultural. É importante salientar que o racismo ambiental pode ocorrer de maneira não-intencional, mas que, de fato, a falta de apoio social e estatal, somada às promessas de desenvolvimento e de possível amparo dessas populações, trazidas com a chegada de grandes empreendimentos, as tornam ainda mais vulneráveis.

São muitos os exemplos de racismo ambiental no país, inclusive situados nas zonas costeiras. Na Ilha da Maré, localizada na Baía de Todos os Santos, desde a década de 50, a comunidade local, quilombola, sofre com os impactos da chegada de complexos industriais na região e a instalação do Porto de Aratu-Candeias, responsável por mais da metade de toda a carga marítima no estado da Bahia, alterando significativamente a qualidade de vida dos moradores que sofrem com o lixo industrial e contaminação química de sua fonte alimentar - o mar. O fato é retratado no documentário “No Rio e no Mar!” dos diretores Jan Willem Den Bok e Floor Koomen. É possível encontrar esse e muitos outros casos no mapa de conflitos envolvendo injustiça ambiental e saúde criado pela Fundação Oswaldo Cruz. Nele é possível analisar a quantidade de casos por região e filtrá-los pelas diferentes populações de forma fácil e interativa, com informações detalhadas sobre cada um deles.

A discussão sobre justiça ambiental, portanto, é de suma importância na luta pela democracia, em busca do bem comum, garantindo que o direito já mencionado pela nossa Carta Magna abranja toda população de maneira igualitária. Nós da IMar Jr. repudiamos qualquer tipo de preconceito e prezamos por um desenvolvimento sustentável que seja socialmente justo. Somos uma empresa jovem e engajada em gerar impacto para reduzir as desigualdades do mundo contemporâneo.

REFERÊNCIAS


Lays Helena Paes e Silva, « Ambiente e justiça: sobre a utilidade do conceito de racismo ambiental no contexto brasileiro », e-cadernos CES [Online], 17 | 2012, posto online no dia 01 setembro 2012. URL: http://journals.openedition.org/eces/1123; DOI: https://doi.org/10.4000/eces.1123


BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm


Tauã Lima Verdan Rangel, « Racismo ambiental às comunidades quilombolas » Bauru, v. 4, n. 2, p. 129-141, jul./dez., 2016. https://www3.faac.unesp.br/ridh/index.php/ridh/article/view/393/182


Daniela dos Santos Almeida, Thula Pires e Virgínia Totti, « Racismo Ambiental e a distribuição racialmente desigual dos danos ambientais no Brasil »http://www.puc-rio.br/pibic/relatorio_resumo2015/relatorios_pdf/ccs/DIR/DIR-Daniela_Almeida.pdf


Realidade na Ilha da Maré; Alma Preta; Junho, 2019. https://www.almapreta.com/editorias/realidade/o-que-gente-vive-na-ilha-da-mare-e-racismo-ambiental-denuncia-eliete-paraguassu


MOHR, Susana; COSTABEBER, Ijoni Hilda. Aspectos toxicológicos e ocorrência de bifenilos policlorados em alimentos. Cienc. Rural , Santa Maria, v. 42, n. 3, p. 559-566, março de 2012. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84782012000300028&lng=en&nrm=iso>. https://doi.org/10.1590/S0103-84782012000300028 .


Stewart, James. (1991). Dumping in dixie: Race, class, and environmental quality. The Review of Black Political Economy. 20. 105-107. 10.1007/BF02689929.


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